Para garantir a visibilidade das marcas na era da IA, não chega depender somente do tradicional SEO. A este pilar somam-se as normas do GEO e do AEO. No primeiro caso, trata-se da otimização orientada para assistentes de IA generativa. No segundo, está em causa a capacidade de assegurar presença nos novos formatos de resposta que surgem nos resultados dos motores de pesquisa (os chamados “snippets”).
Quando questionamos os nossos formandos sobre a sua experiência na utilização de assistentes de IA, e sobre as principais tarefas que aí executam, uma das respostas mais recorrentes é a pesquisa. O gesto de recorrer ao Google para obter uma resposta transferiu-se, com naturalidade, para plataformas como o ChatGPT ou o Gemini, entre outros exemplos.
Perante esta mudança, o impacto no tráfego dos websites tem-se revelado evidente. Mesmo nas pesquisas realizadas no Google, as respostas surgem, com o AI Overviews, bastante contextualizadas. Muitas vezes, é o suficiente para satisfazer a intenção de pesquisa. A visita a um website tende, assim, a ocorrer em momentos mais específicos: quando há necessidade de aprofundar ou validar informação.
O impacto da IA no tráfego orgânico
Os números relativos ao impacto da IA generativa nesta área confirmam o que já sentimos. De acordo com a Gartner:
O tráfego orgânico dos websites deverá cair 50% até 2028.
Não se trata, porém, de uma previsão distante. Entre 2022 e 2023, registou-se uma quebra anual de 9,5% no tráfego orgânico das marcas analisadas pela consultora. A evolução recente aponta para um ritmo de aceleração neste âmbito, com impacto direto na visibilidade das marcas na era da IA.
O que resta, então, a quem produz conteúdo e o disponibiliza no seu website? Ficar a olhar para indicadores negativos e relatórios de analytics pintados a vermelho? Ou ir ao encontro das pessoas, estruturando o conteúdo para que também seja referenciado nos assistentes de IA?
Pois bem, se essa for a via escolhida, há três perguntas cruciais a considerar:
- De que forma os assistentes de IA citam as marcas?
- Como otimizar os conteúdos para esse fim?
- Que métricas permitem avaliar esse desempenho?
O peso da IA nas pesquisas e na visibilidade das marcas
Para compreender a dimensão desta mudança, basta observar a forma como os resultados de pesquisa estão a reconfigurar-se. O Google introduziu os AI Overviews — respostas geradas por IA que surgem no topo da página, antes de qualquer resultado orgânico.

Um estudo recente, citado pelo website Search Engine Land, indica que as taxas de cliques orgânicos (CTR), no caso de pesquisas com um pendor informativo e que incluem AI Overviews do Google, caíram 61% desde meados de 2024. Por sua vez, as CTR pagas, nessas mesmas pesquisas, registaram uma queda ainda mais significativa, de 68%. O artigo baseia-se num estudo da agência de marketing Seer Interactive.
E não é apenas o Google a alterar o paradigma da visibilidade das marcas na era da IA. Ferramentas como o ChatGPT, o Copilot, o Claude ou o Perplexity têm vindo a afirmar-se como alternativas de pesquisa, captando audiências que anteriormente chegariam aos websites através dos motores de pesquisa “tradicionais”.
No plano global, segundo a McKinsey, o peso das pesquisas na IA atravessa toda a jornada do consumidor. A consultora refere que cerca de 40% a 55% dos consumidores, em setores como eletrónica de consumo, mercearia, viagens, bem-estar, vestuário, beleza e serviços financeiros, utilizam pesquisas baseadas em IA para apoiar decisões de compra.
Além disso, a McKinsey indica que 44% dos utilizadores de pesquisa com IA consideram que esta tecnologia já é a sua principal fonte de informação, superando a pesquisa tradicional (31%), os sites de retalhistas ou marcas (9%) e os sites de reviews (6%).

O tráfego orgânico dos websites deverá cair 50% até 2028.
Em resumo: os assistentes de IA estão a agir como um novo filtro, reduzindo a necessidade de visitar os websites originais. Isso já se reflete, inegavelmente, nas fontes de tráfego que analisamos no Google Analytics.

A evolução do SEO para GEO e AEO na era da IA
Durante anos, a estratégia de conteúdos digitais girou, acima de tudo, em torno do SEO (Search Engine Optimization). A lógica era simples: otimizar os conteúdos para que o Google os encontrasse e os posicionasse em lugares de destaque nos resultados de pesquisa.
Esse trabalho continua a ser relevante. Mas já não é suficiente para garantir a visibilidade das marcas na era da IA de forma consistente. Afinal, como ser citado pelo ChatGPT e pelos demais assistentes?
Com efeito, com a proliferação das plataformas de IA e das respostas automáticas no próprio Google, tornou-se necessário otimizar os conteúdos para um novo tipo de sistema: os motores de resposta baseados em IA. A partir desta mudança, emergiram dois conceitos fundamentais, a saber:
GEO: Generative Engine Optimization
- Otimiza os conteúdos para motores de IA generativa (ChatGPT, Gemini, Perplexity);
- Foca-se em ser a fonte da resposta gerada pela IA;
- Valoriza linguagem natural e conversacional, assim como a referência a dados atualizados;
- Objetivo: aparecer nas respostas automáticas, mesmo sem clique direto no website.
Aprofunde os seus conhecimentos sobre esta área no nosso artigo: O que é GEO e qual o seu impacto no SEO
AEO: Answer Engine Optimization
- Otimiza para featured snippets e respostas diretas nos motores tradicionais;
- Foca-se em responder a perguntas específicas de forma concisa;
- Estrutura o conteúdo em formato de pergunta-resposta;
- Objetivo: conquistar a “posição zero” nos resultados de pesquisa (AI Overviews).
A distinção prática pode formular-se da seguinte forma: o AEO prepara o conteúdo para responder diretamente às pesquisas no Google que já integram funcionalidades de IA. O GEO adapta-o para ser referenciado por assistentes de IA generativa.
Ambos complementam, portanto, o SEO tradicional. Devem, assim, ser considerados de forma articulada nas estratégias digitais orientadas para a visibilidade das marcas na era da IA.
| O que é | Objetivo principal | |
| SEO | Otimização para motores de pesquisa tradicionais (Google, Bing) | Aparecer nas primeiras posições orgânicas do SERP, ou página de resultados de pesquisa |
| GEO | Otimização para motores de IA generativa (ChatGPT, Gemini, Perplexity) | Ser a fonte citada nas respostas geradas por IA |
| AEO | Otimização para featured snippets e respostas diretas no Google | Conquistar a posição zero nos resultados de pesquisa (AI Overviews) |
O SEO continua a ser relevante para a visibilidade das marcas na era da IA?
Neste novo contexto de visibilidade das marcas na era da IA, impõe-se a questão: ainda faz sentido integrar o SEO na produção de conteúdos?
A resposta é sim, mas com algumas nuances relevantes.
O SEO mantém a sua importância para a visibilidade das marcas na era da IA, desde logo porque o Google continua a ser o motor de pesquisa mais utilizado. A otimização técnica (que inclui fatores como a velocidade do site, a estrutura de URLs, os dados estruturados ou a abordagem mobile-first, por exemplo) mantém-se como requisito de base. Além disso, um trabalho consistente de SEO, assente em conteúdo aprofundado, autoridade temática e keywords long-tail, constitui um ponto de partida sólido para estratégias de GEO e AEO.
O que se altera é a lógica de produção de conteúdo. Num contexto em que o volume de conteúdos cresce — facilitado por uma produção cada vez mais acessível —, torna-se mais pertinente investir em conteúdo com valor acrescentado, que responda a perguntas concretas, que se sustente em dados fiáveis, que assente numa perspetiva diferenciadora e que se mantenha atualizado.
As marcas que continuam a produzir conteúdo indiferenciado, orientado apenas para palavras-chave genéricas, tendem a perder relevância: tanto nos resultados tradicionais como nos assistentes de IA.
O que muda, na prática, para a visibilidade das marcas na era da IA?
A pesquisa está a tornar-se mais fragmentada, mais conversacional e, sobretudo, mais mediada pela IA. Para os profissionais de content marketing, isso não implica abandonar o SEO, mas sim expandi-lo.
Os três pilares da visibilidade das marcas na era da IA passam, por isso, a ser:
- SEO: para continuar a assegurar presença nos resultados orgânicos tradicionais e sustentar o GEO e o AEO;
- GEO: para aumentar a probabilidade de citação por parte dos assistentes de IA generativa;
- AEO: para conquistar a posição zero e os featured snippets no Google.
Nos próximos artigos desta série, iremos aprofundar a forma de adaptar a produção de conteúdos na prática, as ferramentas disponíveis para medir a visibilidade nas plataformas de IA e os indicadores que devem nortear a estratégia.
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